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Dinamização da Cultura, da Educação e da Sociedade

29 Setembro | Espetáculo de Teatro

SINOPSE

“Recordar, com a nitidez do preto e branco da televisão, uma das peças de teatro que marcaram para sempre as noites do pequeno ecrã.”

Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores, esta frase ficou imortalizada pela prodigiosa atriz Palmira Bastos, um “monstro sagrado” do teatro português.

Chega um dia ao escritório de uma organização que pretende fazer o bem, um velho com uma solicitação inusitada: tinha um neto com um mau carácter, mas que a avó desconhecia.

Ao longo de vários anos, o marido foi-a enganando ao escrever cartas fazendo-se passar pelo neto. Dizia que estava arrependido pelo seu comportamento anterior e se tinha transformado num famoso arquiteto.

Um dia, o neto verdadeiro envia um telegrama a dizer que regressa, mas acaba por falecer ao naufragar o navio em que viaja.

O velho pede então à organização que envie para sua casa um casal, que deve dissimular ser o neto e a mulher. A velha parece não descobrir nada.

Tudo corre bem até que aparece o verdadeiro neto que afinal não viajara no navio naufragado e está vivo.

Uma obra de Alejandro Casona

TEATRO – UMA TRADIÇÃO EM FREAMUNDE

A monotonia dos tempos dominados pelas regras e influência religiosas, em que pairava um grande espírito gregário a que as condições adversas obrigavam, haveria de fazer despontar certas atividades de recreio do espírito e de renovação de energias. Radicará aí o gosto pelas representações cénicas sempre ligadas às preocupações e crenças religiosas ou aos espinhos das tarefas profissionais. De salientar que nos fins do séc. XIX, os jornais já se referiam a uma intensa atividade da “troupe dramática de Freamunde”.

Mais tarde e a meados do séc. XX, surgiu em Freamunde, onde se fixou, por via do casamento, um amante das artes e das letras que viria a contribuir para o fortalecer do embrião lançado relativamente ao teatro, criador de textos, encenador e cenógrafo, o Sr. Leopoldo Saraiva. Concebeu e encenou, por exemplo o “Auto das Flores” para obter verbas para terminar as obras da escola “dos meninos” ou as conhecidas escolas amarelas.

O jornal “Eco de Paços de Ferreira”, de 15 de maio de 1935, refere que “no salão nobre da Associação de Socorros Mútuos Freamundense realizou-se um atraente espetáculo que esteve muito concorrido pelo grupo Dramático de Amadores Freamundenses”.

Teatro houve e muito!

Entretanto, um outro “imigrante” chegava a Freamunde, onde também havia de fixar-se pelo casamento. Era um homem do teatro (e foi o teatro que o fez chegar pela 1.ª vez a Freamunde, integrado no grupo dos “Modestos”), de seu nome Fernando Santos “Edurisa Filho” que, encontrando o terreno desbravado, se dedicou à produção sucessiva de espetáculos. Criou-se então o Grupo Cénico de Freamunde, já dirigido por Fernando Santos que foi iniciado em 1951, e pôs em cena peças como:

FREAMUNDE É COISA BOA

BOCÁCIO NA RUA

IRENE

CAMA MESA E ROUPA LAVADA

AS INTRIGAS NO BAIRRO

RAINHA CLÁUDIA“.

Foi depois por conselho de Maximino Ferreira Rego e Nélson Lopes e pela convicção das suas palavras, que Fernando Santos decidiu, com um grupo de amigos atores, criar o GTF – Grupo Teatral Freamundense. Estava-se a 22 de dezembro de 1963 e o GTF estreava-se com “Gandarela” uma opereta que Fernando Santos tinha começado a escrever aquando do seu assentimento ao convite e sugestão dos amigos, com arranjos musicais de Jaime Rego. Fruto do reconhecimento desse trabalho são os relevantes prémios conquistados a nível nacional do SNI (Secretariado Nacional de Informação), os honrosos convites para festivais internacionais de Nancy e Avignon que não puderam ser aceites, por indisponibilidade de alguns atores, o 1.º Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), o Festival Internacional de Almada, as críticas favoráveis de jornais e mestres de teatro e intelectuais, o convite a Fernando Santos para ministrar cursos e encenar outros grupos…

O GTF seria um veículo honroso do nome de Freamunde porque atuou em variados palcos do país, esteve presente numa exposição documental sobre o Teatro Amador em Yokohama (Japão) e teve convites da embaixada cultural da Rússia. Com a peça “Um Fantasma Chamado Isabel” e a convite do SNI, apresentou-se no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia 13 de junho de 1965. Acerca deste espetáculo dizia o Jornal de Notícias “Apresentado com toda a propriedade pelo Grupo Teatral Freamundense, o magnífico espetáculo agradou sem reservas, merecendo palavras de elogio todos os intérpretes…

O arranjo da cena, a montagem e a encenação foram valiosos contributos para o êxito obtido, que o público soube premiar condignamente, com muitos e prolongados aplausos”.

Em 1966, no Teatro Avenida de Lisboa, representou também “O Comissário da Polícia” de Gervásio Lobato, que recebeu da imprensa os melhores elogios. O jornal “O Século”: “Os Freamundenses estão de parabéns: ouviram reboar na sala, durante e no fim do espetáculo, palmas intermináveis”. Estes são alguns exemplos de críticas jornalísticas, muitas outras houve…

O GTF tem colaborado com outras associações locais em atividades várias, e com a CMPF, por exemplo levando peças infantis às escolas e oferecido receitas de espetáculos a associações do concelho. Tem sido convidado para vários festivais de teatro e organiza todos os anos o seu próprio festival de teatro amador. A medalha de “Altruísmo e Mérito do Concelho de Paços de Ferreira” foi-lhe atribuída em 1988, o que diz bem o contributo que o GTF tem dado à evolução cultural de Freamunde e à divulgação do seu nome.

Distinções atribuídas ao Grupo:

1964 – 2 Menções Honrosas nas categorias de conjunto e interpretação, no Concurso de Arte Dramática do SNI.

1965 – Prémio Câmara Municipal de Matosinhos, 1.º Prémio; 3 Menções Honrosas no Concurso de Arte Dramática das Coletividades do Distrito do Porto; Prémio “Augusto Rosa”, na categoria de drama, conjunto, no Concurso de Arte Dramática do SNI; Prémio “Rosa Damasceno”, 1.º prémio na categoria de Drama, interpretação feminina (Fernanda Felgueiras), no Concurso de Arte Dramática do SNI; Prémio “João Rosa”, 1.º prémio na categoria de Drama, interpretação masculina (Nelson Lopes), no Concurso de Arte Dramática do SNI; 3 Diplomas de Honra, na categoria de Drama, interpretação, no Concurso de Arte Dramática do SNI; 5 Menções Honrosas na categoria de Comédia, conjunto e interpretação, no Concurso de Arte Dramática do SNI.

1966 – Prémio “Francisco Taborda”, 1.º Prémio na categoria de farsa, conjunto, no Concurso de Arte Dramática do SNI; Prémio “Maria Matos”, 1.º Prémio na categoria de farsa, interpretação feminina (Maria do Carmo Correia), no Concurso de Arte Dramática do SNI; Prémio “Nascimento Fernandes”, 1.º Prémio na categoria de farsa, interpretação masculina (Alberto Graça), no Concurso de Arte Dramática do SNI; 2 Diplomas de Honra na categoria de farsa, interpretação e montagem, no Concurso de Arte Dramática do SNI; 4 Menções Honrosas na categoria de Drama, conjunto e interpretação, no Concurso de Arte Dramática do SNI.

1967 – Diploma de Mérito Artístico, atribuído pelo SNI.

1968 – Prémio “Eduardo Brasão”, 1.º Prémio na categoria de conjunto, no Concurso de Arte Dramática do SNI; Diploma de Honra, na categoria de sonoplastia, no Concurso de Arte Dramática do SNI.

1969 – Representante de Portugal na exposição documental “The Amateur Theatre In The World”em Yokoama, Japão.

1971 – Prémio “Augusto Rosa”, 1.º Prémio, na categoria de conjunto, no Concurso de Arte Dramática do SNI.

1988 – Medalha de Ouro de Altruísmo e Mérito atribuída pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira.

“Freamunde – Apontamentos para uma monografia”

Homenagem ao Grupo Teatral Freamundense.

Motivo de orgulho para Freamunde, e que continue a elevar cada vez mais alto esta terra, mesclada de branco e de tons do céu.

 

 

 

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