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Dinamização da Cultura, da Educação e da Sociedade

A MAGIA DAS MÁSCARAS | 2 FEVEREIRO

Vocês sabiam que a palavra pessoa vem do latim persona que significava máscara do ator? A evolução popular da palavra faz todo o sentido, se pensarmos que o mundo é um palco onde vamos afivelando diversas máscaras pelas melhores ou piores razões.

Mas hoje vamos falar de máscaras máscaras, objetos que se põem diante do rosto e permitem esconder a identificação, criando impunidade e permitindo a libertação do diabo que há em nós.

No dia 2 de fevereiro, a Fundação A LORD inaugurou, no átrio do seu auditório, uma magnífica exposição de máscaras do nordeste transmontano, com a gentil colaboração de A. Pinelo Tiza, presidente da Direção da Academia Ibérica da Máscara e autor de um texto introdutório do livro Máscaras rituais do Douro e Trás-os-Montes – pintura por Balbina Mendes (Novembro de 2009)1.

Pudemos observar máscaras de variados materiais, com predomínio da madeira, latão e cortiça, mas também de lã, palha, etc. Os formatos são igualmente diversos e misteriosos: vemos, sobretudo, o rosto humano, mas também grande representação de diabos (orelhudos e exibindo o seu par de cornos) e da morte, duas personagens fundamentais e aterrorizadoras do nosso imaginário coletivo e ligadas à renovação e fecundação. Curiosamente, algumas das máscaras exibem características zoomórficas: é o caso de um estranho animal (raposa) de dentes afiados, no topo de uma cabeça, ou a cobra (símbolo da tentação e luxúria, mas, também ligada à terra) que revolteia na face de alguns diabos.

As máscaras do nordeste transmontano (e Alto Douro) são antiquíssimas e pensa-se mesmo que existiriam já no tempo dos celtas, sendo, portanto, anteriores à romanização.

Elas saem à rua em momentos diferentes, desde o último dia de outubro até à quarta feira de Cinzas (Natal, Santo Estêvão, Ano Novo, Reis e Carnaval). As suas exibições são, pois, limitadas por dois momentos importantes da vida agrícola e social: o solstício de Inverno e o Carnaval.

A máscara terá começado por ter uma função mágica, mas hoje é um elemento profano que para uns é divertido, para outros nem tanto (sobretudo para as raparigas mais incautas que são chocalhadas sem acharem piada nenhuma ao ato). Mas também é um elemento de união da população, uma vez que se liga a peditórios e a refeições coletivas.

Cada terra tem as suas festas próprias (são famosas as “chocalhadas” de Podence) mas todas elas têm alguns elementos comuns que derivam do uso da máscara. Primeiro, são sempre “festas dos rapazes” e assim como marcam a transição de ciclo da natureza, marcam a iniciação dos rapazes no mundo dos homens (Santo Estêvão é o patrono dos rapazes). Os mascarados (caretos, canhotos, máscaros, etc.) fazem toda a espécie de tropelias, e, sobretudo, gostam de chocalhar as raparigas. O som dos chocalhos tem ainda outra função: o barulho afasta os maus espíritos – ainda hoje, não há celebração oriental sem panchões, uma espécie de bombas de carnaval que produzem um barulho ensurdecedor.

As máscaras têm, por tudo isto, um valor etnográfico enorme mas, sobretudo, apresentam uma beleza de formas e de cores extraordinária que regala os nossos olhos e nos dá momentos de grande prazer.

Esperemos que este tipo de exibição continue vivo, num mundo que tem tendência para preferir a “magia” do centro comercial, da autoestrada e outros símbolos do mundo moderno.

1 Este livro está disponível para consulta na Biblioteca da Fundação A LORD.

Mascaras Odete Mendes

Mascaras 1 Odete Mendes

Odete Mendes

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