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Dinamização da Cultura, da Educação e da Sociedade

Abertura da exposição “Rosário Roque 1989 – 2013” | Conferência “Solidariedade com África”

“A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado por aquilo que você é, apesar daquilo que você é”- Victor Hugo.

Pois é, mais uma vez a A LORD se lembrou de mim!

Enviou-me o programa, como de costume, e o convite. E fui. A arte sempre me fascina! A cultura sempre me prende e dela sempre tenho sede. Posso ser pequena, mas a vontade de crescer supera sempre a minha altura. E valeu a pena! Gostei! Gostei muito!

A Ana Maria desafiou-me a fazer um pequeno relatório do que vi e senti e, apesar do tempo me escassear para tudo o que quero, acedi.

Chovia. A noite convidava-me mais a ficar comodamente deitada no sofá, do que a fazer quilómetros a conduzir, o que detesto. Mas a cultura e o querer saber mais, sempre me vence…

O fascínio da arte que adivinhava e o elenco dos palestrantes fizeram-me esquecer o sacrifício. Logo à entrada a arte! Bela! Luminosa! Cheia de harmonia e sedução! Prendi nas telas o olhar e deixei-me vaguear no sonho. Toda a arte me fascina!…

Quis conhecer a autora, mãos de fada, que tal beleza criara. Ei-la. Pequenina, cabelo curtinho, sorriso tímido, simples, em contraste com a grandeza da sua arte. Rosário Roque é assim uma transmontana de Vila Flor que, como uma flor, dá vida e cor às coisas que olha, que sente e imortaliza-as em telas para nosso encantamento.

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Depois, no auditório a Conferência “Solidariedade com África.

A mesa iluminou-se com um magnífico leque de personalidades: Doutor Francisco Leal, Presidente da Fundação A LORD; Padre Almiro Mendes, Diretor do Secretariado das Missões da Diocese do Porto; Doutora Maria Manuela Lopes-Cardoso, Presidente da Associação África Solidariedade e Engenheiro Eugénio Anacoreta Correia, Ex-Embaixador de S. Tomé e Príncipe.

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Só de ouvi-los, já valeria a pena aquela noite!

Cada qual com um dom de palavra e um poder forte de comunicação. Extraordinário! Palavras que saíram soltas, livres, simples, acessíveis, espontâneas, ao encontro dos ouvintes atentos.

Seguiu-se o filme. Lindo! Comovente! Para fazer pensar no nosso comodismo, no nosso alheamento ao sofrimento dos outros, no nosso consumismo desenfreado, no nosso egoísmo, nos nossos desejos exacerbados, porque sempre queremos mais. A eles, africanos, basta-lhes um olhar, um carinho, um sorriso, uma mão na mão, uma caneta, uma folha de papel… Contentam-se com pouco!

Nesse momento lembrei as palavras que um meu amigo, Doutor J. Esteves Rei, Professor Jubilado, a dar aulas na Universidade de Cabo Verde, há poucos dias me disse: “- Aqui dá gosto ensinar porque eles querem aprender”.

Seguiram-se os testemunhos dos que tudo deixam, esquecendo todas as comodidades para se dar por inteiro aos outros. Pedacinhos de céu, as palavras saídas da boca e do coração do Padre Almiro Mendes: “Há sempre sorrisos; se eu tivesse mil vidas dedicava-as todas a esta causa; a serenidade vertida nas palavras escorria-lhes dos olhos; nós aqui temos pressa, eles lá têm serenidade. O sofrimento daquela gente calava em mim e fazia-me silêncio. Só vai restar no caixão o que fomos e o que demos; quem vai à Guiné e regressa, vem diferente; quem está vestido de amor, está sereno e tranquilo.”

Este HOMEM que largou por um ano o conforto e foi viver com eles, as dores, os sonhos, a esperança, a fé, o amor, o desejo do mínimo a que todos, filhos do mesmo pai, têm direito. Agora traz-nos o testemunho vivido para nos abanar as consciências, para nos lembrar que temos tudo, mais do que precisamos e ainda estamos descontentes! Toda a vivência daquele povo martirizado pela lonjura das coisas, faz-nos relativizar tudo o resto.

O momento musical que se seguiu foi mais modesto para a grandeza da noite. Este momento merecia mais. Soube a pouco!

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Cheguei a casa já meia hora do dia seguinte, mas com a alma cheia.

Obrigada à Fundação A LORD por ainda se lembrar de mim. Noutros tempos, bem difíceis, fiz muitos sacrifícios, por mim, para crescer e para merecer a vossa lembrança. Ainda bem que assim é. Trabalhei durante um ano na sombra e humidade do Arquivo da Câmara Municipal de Paredes, a ler atas dum período de cem anos, a fim de descobrir pérolas de Lordelo. Das recolhidas no fundo das águas escuras (folhas indecifráveis) saiu o livro “O Mercado Feira de Lordelo”. O 1.º duma série que a A LORD, muito bem, continuou.

As coisas boas gravei-as na pedra, as menos boas desenhei com o dedo na areia e o mar já bebeu.

Obrigada à Fundação A LORD pelo abraço que continua a dar à cultura.

Donzília Martins

Paredes, 12 de outubro de 2013

 

 

 

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