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Dinamização da Cultura, da Educação e da Sociedade

BRINQUEDOS TRADICIONAIS | CONCERTO DE REIS: UMA MISSA PARA A PAZ

BRINQUEDOS TRADICIONAIS

Que é indispensável que a criança brinque pois é assim que aprende a manusear e a conhecer o mundo das coisas e das emoções já todos sabemos e admitimos; mas que o adulto precise de brincar e fique fascinado pelos brinquedos será considerado uma “criancice” por muitos. Saudades da infância? Provavelmente. Fuga às responsabilidades do dia a dia? Também. Refúgio no mundo da Imaginação? Sem dúvida. E provavelmente mais coisas que um psicólogo poderá explicar.

Este tema sobe hoje ao blog e à revista da Fundação A LORD porque esta entidade promoveu uma interessante exposição sobre brinquedos tradicionais de madeira e de lata no seu átrio,  de XXX de dezembro de 2013 a 31 de janeiro de 2014. A primeira imagem apresentada, logo à entrada do átrio, era um poema de Álvaro de Magalhães, chamado O brincador:

O brincador

 Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor. Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for. Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for. Quando for grande, quero ser um brincador.

Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor. Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador…

A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabear mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.”

Deste poema podemos concluir que mesmo os adultos gostam/precisam de brincar com as coisas que amam, embora os brinquedos possam não ser habitualmente considerados como tal. O hábito/necessidade de brincar com as palavras poderia conduzir-nos a um longo debate sobre o que é a poesia. Mas hoje não é esse o nosso objetivo.

Depois deste fabuloso texto à entrada, devidamente acompanhado por uma bela imagem de um dos mais tradicionais brinquedos de madeira (tipo ciclista de cabo para empurrar), seguiam-se os brinquedos reais. Se toda a gente conhece os ciclistas, os que têm cordas (apetece-me dizer guitas) que se puxam para obter movimentos diversos e os carrinhos de lata, quem foram as meninas criadas nas redondezas do Porto que não reconheceram a tábua de passar com o respetivo ferro, a máquina de costura (da Singer, pois claro!) ou o fogão com os necessários tachos? Tudo em lata, nada de plástico, que os tempos não eram para modernices! (sabem que, inclusivamente, se aproveitavam as latas de azeite e das conservas para fazer os brinquedos de chapa ou lata?)?

Como menina criada no Porto, deliciei-me com a exposição. Alguns brinquedos semelhantes a “maravilhas” que ainda guardo, mas, sobretudo, uma caminha com uma colcha de chita às rodinhas cor-de-rosa, igual à que a minha mãe usou para forrar o meu bercinho de bonecas, cujos restos ainda hoje andam lá por casa.

Estou, portanto, grata à Companhia de Teatro Pé de Vento, a quem pertence esta coleção, não só pela disponibilidade com que a emprestou a A LORD, para a exposição ao público, mas, também, a paciência e o gosto que estão implícitos na aquisição e recuperação destes brinquedos antigos.

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Voltando às explicações para essa ternura que jorra em nós perante o brinquedo e o ato de brincar, deixo-vos a opinião do mestre Fernando Pessoa, hesitante entre o prazer da inconsciência de brincar e a consciência da existência, sempre dolorosa:

                                     Gato que brincas na rua

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

CONCERTO DE REIS: UMA MISSA PARA A PAZ

O que significa coro?

Pode ser o presente do indicativo do verbo corar (eu coro, tu coras ele cora….) e aqui o o é aberto, pode indicar uma parte da igreja destinada ao canto ou pode ser um grupo de cantores, entre outras coisas menos usadas mas possíveis na língua portuguesa.

Esta introdução, que pode parecer estranha, tem duas razões de ser. A  primeira é que acabo de ler um texto contra o novo acordo ortográfico em que se critica o desapecimento de alguns acentos (entre outras coisas) – mas, vejam lá! – nunca ninguém se lembrou de protestar contra o facto de eu coro e o coro se dizerem de maneira diferente e se escreveram de igual forma, sem acento, já antes do acordo… A segunda razão é mais agradável e menos polémica: A LORD proporcionou-nos, no dia 18 de janeiro de 2014, um ótimo espetáculo do Coro de S. Tarcísio. Todos sabemos que os meios de comunicação social, costumam festejar o Ano Novo e o dia de Reis com um concerto por orquestras famosas. Não saindo da música clássica, a importante instituição de Lordelo trouxe-nos, este ano, uma obra que eu desconhecia – Uma missa para a paz – de Karl Jenkins. Com a curiosidade de ser apresentada por um coro do Porto, a exibição foi, também, acompanhada com a passagem de filmes quase sempre relacionados com a guerra, o que aumentou a tragicidade do espetáculo. Ainda bem que assim foi, porque o texto da obra é em alemão, língua que desconheço  assim como, provavelmente, a maior parte do público presente. Mas, sobre este Concerto de Reis há muito a dizer. Como solistas destacaram-se a mezzo-soprano Patrícia Quinta e o barítono Pedro Telles. Este, assim como Jairo Grossi que acompanhou o espetáculo ao piano, são os atuais maestros do grupo. Acerca do coro propriamente dito quero salientar a qualidade dos cantores, principalmente das sopranos e dos baixos que apresentaram uma amplitude pouco habitual em coros amadores. Estas vozes bem colocadas são tanto mais de realçar quanto a maior parte dos coristas já não são muito jovens Um dos elementos do grupo confessou-nos mesmo que têm muita dificuldade em atrair gente nova, porque, agora, há muitas distrações. Da apresentação em geral destaco um momento em que o grupo canta só com sons reproduzindo (a meu ver) o desespero de uma fuga atabalhoada à guerra. De arrepiar…

O Coro de S. Tarcísio, que nasceu em 1956 na igreja da Lapa e se encontra, atualmente, sediado na igreja da Trindade, está, sem dúvida, de parabéns. Obrigada.

 Odete Mendes

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