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Dinamização da Cultura, da Educação e da Sociedade

Teatro de marionetas “Os trabalhos de Hércules”

No sábado 26 de outubro de 2013, pelas 21h30, mais uma vez me desloquei à Fundação A LORD para assistir a uma das suas apresentações culturais. Desta vez, teatro de marionetas, “Os trabalhos de Hércules”.

Antes de vos falar deste magnífico espetáculo, permitam-me que regresse ao longínquo passado, à janela da minha infância.

Na época, os saltimbancos, o teatro de marionetas e os robertos eram os espetáculos mais comuns nas aldeias e vilas perdidas entre as montanhas.

Não havia luz, nem locais próprios para representar. A festa improvisava-se na rua, em geral, no meio da praça, mas também ao fundo da minha rua ou em qualquer largo onde houvesse crianças.

Recordo-as tão bem! Delas falo no meu livro de Contos “UM País na Janela do Meu Nome”.

O que mais me magoava nesses teatrinhos era a figura máscula do pai com um sacho às costas no regresso do campo. Cansado, ralhava com todos, até com ele próprio e batia com a moca na mulher e nos filhos. Ainda sinto no peito a célebre frase a martelar: “Eu sou o Roberto da Moca!”. Batia, batia, só parando quando as personagens pobres e indefesas caíam para o lado.

Avancemos no tempo. Paremos há três anos atrás. Um grande amigo meu e quase familiar, cunhado do meu filho, João Paulo Seara Cardoso, ator, coreógrafo e diretor do Teatro de Marionetas do Porto, deslocou-se à cidade de Paredes para exibir, no parque José Guilherme, um espetáculo de marionetas.

Voltei a encantar-me! Desci de novo à infância. Era assim tal e qual! Só que aqui, já era tudo mais doce, sem pancadaria, o autor e ator era um “santo”.

Convidei-o a vir a minha casa e ofereci-lhe o livro onde falava das “Minhas marionetas de criança”. Sorriu e agradeceu feliz.

Assim, a vida corria, maravilhosa e cheia de encantos, no faz de conta, que prende e encanta. No viver do sonho de inaugurar o seu Museu das Marionetas do Porto.

Porém, o homem põe e Deus dispõe. Há dois anos, sem que ninguém imaginasse este teatro da vida, O João Paulo de repente adoeceu. As marionetas que tão bem manejava e que eram o seu sonho, calaram-se para sempre. O Museu e todos os sonhos ficaram adiados.

Todos os artistas e homens da arte e cultura choraram. Choraram o Homem, bom, puro, amigo, são, honesto, criativo, empreendedor, pai e marido exemplar. O amigo que todos desejavam ter.

Tantos sonhos de Marionetas por acabar!…

A sua mulher, Isabel Seabra, não deixou que o sonho se partisse. Ergueu o Museu que o João Paulo com tanto carinho idealizara. Pôs mãos à obra e inaugurou-o, ainda que lavada em lágrimas de saudade, sabendo-o ali no sonho comum.

O Museu fica situado na rua das Flores, em frente à Igreja da Misericórdia, no Porto. Vale a pena ir lá para ver um sonho de pé, para chorar a saudade, para cantar vitória após a morte e para reconhecer que há mulheres que não deixam morrer os sonhos.

Que me perdoe a “LIMITE ZERO”, da qual devia falar em primeiro lugar, mas eu precisava fazer esta homenagem, embora no Porto, a Câmara, em sua honra, desse o nome do artista a uma rua.

E agora “Os trabalhos de Hércules”! Foi lindo! Parabéns! Adorei! Magnifico! Diria quase divinal!

Nunca tinha visto um espetáculo de marionetas em palco. Só na rua, só dentro da sua caixinha de chitas e riscados mágicos. As figuras desafiavam a imaginação criadora com os percalços surgidos no caminho das personagens. Os improvisos estranhos e as peripécias sobrepunham-se à criação.

O Zampano conjugava e tocava todas as teclas dum grande e magnífico espetáculo.

A doçura e simplicidade das duas personagens, tão frágeis e meigas e tão singelas e singulares, eram manobradas com tal mestria, que pareciam vivas e, diríamos, que vivificadas por mãos hábeis de fadas invisíveis.

Também a matrona encantou com os seus gritinhos de quiquiriquiqui, fazendo multiplicar os sorrisos fáceis e as palmas que choviam, espontâneas, sem serem pedidas. Tudo perfeito!

No final, ficamos com sede de mais. Os vários cenários de luz e cor, com coreografias apelativas, despertavam e prendiam o olhar.

Estão pois de parabéns os verdadeiros atores e autores da “Limite Zero”, por tão bem manejarem e darem vida ao herói Hércules e sua comitiva.

Parabéns também e, sobretudo, à A LORD por, com casa completamente cheia, nos ter proporcionado tão belo espetáculo e nos ter feito subir mais um degrau na cultura do tempo. Obrigada, por todos estes eventos culturais. Continuem! O País onde tudo parece tão empobrecido, precisa de vós. Merece que haja alguém como a A LORD que seja chama acesa a iluminar a iliteracia que corre…

Que a vossa voz e luz jamais se apague!

Com um abraço da Donzília Martins

 

 

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